Fazer exame de mamografia depois dos 50
A idade em que deve ter início o rastreio contra o cancro da mama tem sido alvo de grande controvérsia. Se há países onde é feito a partir dos 40 anos, outros só o fazem uma década depois.
DADOS SOBRE 0 CANCRO
- Há 4500 novos casos do cancro da mama por ano em Portugal;
- Uma em cada 12 mulheres portuguesas vai desenvolver cancro da mama;
- 5 por cento dos cancros da mama é curável se for detectado a tempo;
- Existem 1600 mortes por ano.
A faixa etária em que se deve começar a fazer mamografias tem gerado várias discussões por parte dos especialistas, nos últimos tempos. Tudo porque uma organização de peritos de saúde privada nos EUA reviu esta matéria e defende que os exames regulares só devem ser feitos a partir dos 50 anos e não aos 40. Segundo o grupo U. S. Preventive Services Tksk Force, os riscos das mamografias regulares podem ser maiores do que os benefícios.
Ainda segundo o relatório divulgado, a vantagem deste tipo de exame para a redução da taxa de mortalidade provocada pelo cancro da mama é bastante modesta, apenas 15 por cento, considerando que é preciso ter em conta as desvantagens. Uma mamografia pode incluir uma série de testes desnecessários, como biopsias, e pode ainda encontrar cancros que nunca seriam detectados de uma forma normal e que poderiam nunca trazer problemas à mulher.
Este documento acrescenta que os riscos são maiores para as mulheres de 40 anos, mas a probabilidade de ter cancro da mama é menor nesta idade do que aos 50, daí estes especialistas dizerem que faz sentido adiar uma década o início dos exames regulares.
Este mesmo relatório recomenda que mulheres entre os 50 e os 74 anos passem a fazer mamografias de dois em dois anos, em vez de anualmente. No entanto, os médicos norte-americanos afirmam que estas recomendações não são dirigidas a pessoas com um historial genético propenso a desenvolver cancro da mama.
E em Portugal?
Esta mudança está a provocar controvérsia em vários países e até nos EUA, onde o grupo American Câncer Society mantém as recomendações antigas, ou seja, o início das mamografias regulares aos 40 anos. Também no Brasil este assunto gera alguma discussão e as opiniões estão divididas. A Sociedade Brasileira de Mastologia mantém a orientação para que as pacientes façam o exame anual a partir dos 40 anos, mas o Instituto Nacional do Cancro (Inca) concorda com a posição dos norte-americanos.
Em Portugal também não existe um consenso relativamente a esta questão. No entanto, por norma, “este tipo de exame é recomendado pela maior parte das organizações entre os 40 e os 50 anos, no caso das pessoas saudáveis” afirma António Moreira, oncologista do IPO.
Porém, esta é uma questão que deve ser sempre analisada caso a caso, daí ser importante recorrer ao seu próprio médico, que estudará o seu historial. Já o site da Liga Portuguesa Contra o Cancro, seguindo as normas da Direcção-Geral de Saúde, aconselha as “mulheres entre os 45 e os 69 anos a participar nos programas de rastreio” que se desenvolvem ao longo de todo o País, através de unidades móveis, e cujos resultados são enviados para o respectivo centro de saúde do concelho.
De acordo com o oncologista Sérgio Barroso, “a questão que se coloca é que se fazemos a mamografia a partir dos 40, estamos a sujeitar a mulher a uma quantidade de radiações que é significativa, sendo que a incidência de tumores nesta faixa etária é relativamente baixa. A partir dos 50 anos, como os tumores são mais frequentes, o custo/benefício é mais eficaz“.
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Referências para este artigo
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| Se gostou deste post, partilhe ! Por Cuidados Saude a 18 de Janeiro de 2010 ás 17:03, na categoria Cancro, Mulher. . |






